
Chega uma hora que algumas portas já se fecharam, outras estão distantes demais e, algumas nem sequer se abriram.
É quando vem a dor. A infinita dor que martiriza, que flagela, que hipnotiza.
Um milhão de coisas para reviver isso, essa dor. Músicas, fotos, filmes... parecem amenizá-la, parece que assim podemos da melhor forma possível tornar um pouco concreta essa dor...
Não é tal musica que te lembra aquilo, não, na verdade ao ouvir tal música você se sente seguro o suficiente para permitir que aquilo apareça.
Aquela dor, aquela que só você sabe qual é. Aquela dor que já te fez flertar com seus pulsos, com uma sacada, uma corda...
A dor que te impele a caminhar, a se jogar na incessante busca da cura, ou ao menos da anestesia.
As lágrimas não são de sal, mas sim de sangue, é o coração chorando. Quando a dor chega nesse estágio é porque sua mente já desistiu, já se entregou, sua razão não tem mais argumentos para repelir ou combater essa dor.
Eu, um ser tão cheio de razão, tão capaz de retrucar qualquer pergunta... mas incapaz de achar a cura, o elixir da paz para o coração.
Só me resta sair, só me resta procurar meu país das maravilhas, minha Wonderland.
Qual é a sua Wonderland? O que tem nela?
Pessoas? Coisas? Objetos? Perversões?... Tudo isso?
Leve a mente para lá de vez em quando, observe, aprenda sobre si mesmo. Mas cuidado, Wonderland é um lugar mágico, é mistico, é magnético. Muitos conseguem chegar até ela, mas, pouquissimos conseguem voltar.
São pessoas que passam a viver no modo automático, desligadas de si mesmas e dos outros, vivendo relações fúteis, físicas, materias... Já não se envolvem com seres, se envolvem com dinheiro, com poder, se entregam ao carpe diem.
A mente, presa em Wonderland vive intensamente essa ilusão, colocando sempre a culpa no respectivo culpado: briguei porque tinha razão, transei porque tinha tesão, roubei porque tinha necessidade...
Não, a mente já foi corrompida, essa pessoa não está mais aqui, seu corpo volita pelos bares e boates, mas sua mente, essa ficou em Wonderland, vivendo fantasias, planos e projetos que nunca se tornam reais.
Queria o poder, queria o saber, queria enxergar as mazelas e sutilezas do mundo real de uma forma mágica. Sem truques, sem atalhos, sem papéis milagrosos. O poder de enxergar o bem no que parece mal, a cura no que parece dor, o remédio no que parece injustiça.
Mas, honestamente, acredito que só posso enxergar o mundo de uma forma diferente quando eu sentir de uma forma diferente. Preciso amar, preciso que esse tal amor me dobre os joelhos em prantos de saudades, me infernize a noite em arrependimentos banais, me tranque no calabouço da insegurança, me torture com angústia da despedida, me faça ouvir o telefone tocando no canto dos pássaros.
Quero o prazer de sentir a dor de alguém que ama, quero o ciúmes infantil, quero olhar um defeito como algo original e me apaixonar mais por causa dele.
Estou pedindo muito?
Não dá mais gosto sofrer por trivialidades, não dá mais gosto abraçar abraços mornos...
Não há colo para repousar essa carência, esse vazio...
Seja como for, seja onde for, essa é minha nova Wonderland, o país das maravilhas está em todo lugar, mas a lente mágica que nos permite enxergá-lo... ah, essa é invísivel e sempre, sempre estará nas mãos de outra pessoa.
É a dura realidade, uma pessoa estranha será a única que poderá lhe dar o acesso a essa tão sonhada terra, a esse tão sonhado país...
O país das maravilhas, sejam elas negras ou brancas, tristes ou alegres
-> Obrigado Alice, sem sua ajuda essa idéia não teria chegado ao papel...
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